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© Terry &
Natasha Turner/Stock.Xchng
Você acende a luz da cozinha e
topa com ela: grande, marrom, cascuda. Uma barata de respeitável
tamanho. Enquanto o ser humano hesita entre o inseticida e o
chinelo, ela começa uma rápida trajetória de escape na direção
oposta. Feito barata tonta? Não.
Segundo um estudo de quatro
pesquisadores de Itália, Reino Unido e EUA, a barata escapa em direções
predeterminadas e preferidas, em um ângulo que varia entre 90º e
180º da direção da ameaça.
Baratas são um bom modelo biológico
para estudar o comportamento de fuga de um animal frente a um
predador. Aparentemente elas parecem fugir ao acaso, mas
experimentos mostraram que há estratégia por trás das rotas de
fuga.
Os pesquisadores, liderados por
Paolo Domenici, do Instituto de Metodologia Química, do Conselho
Nacional de Pesquisa italiano, publicaram seus resultados na última
edição da revista "Current Biology".
O experimento básico consistia em
simular um predador usando uma rajada de vento que a barata captaria
e interpretaria como uma potencial ameaça. Cinco baratas de uma espécie
comum (Periplaneta americana) tiveram suas trajetórias
gravadas em vídeo, depois de estimuladas com vento, entre 75 e 93
vezes. Os cientistas mediam o ângulo entre a direção do vento e a
da fuga.
O resultado indicou pelo menos
quatro picos de rotas de fuga, aproximadamente nos ângulos de 90,
120, 150 e 180. Os números foram confirmados por outra bateria de
testes, desta vez com 86 outras baratas, "assustadas"
apenas uma vez.
"Direções ao acaso também
incluiriam direções para a boca do predador, por isso o acaso
completo não é desejável. Da seleção natural se espera que
evolua um mecanismo que seja suficientemente imprevisível para que
os predadores não possam aprender um padrão de fuga específico,
repetitivo por parte da presa", disse Domenici.
"Sobre por que existem trajetórias
preferidas em vez de trajetórias igualmente possíveis, isso pode
ter algo a ver com como as escapadas são controladas, possivelmente
pelo modo como os neurônios direcionalmente sensíveis controlam a
escapada", continua.
Ainda não se conhece o mecanismo
biológico responsável pela estratégia de escape das baratas.
"Nosso trabalho ressalta a necessidade de revisitar a base
neurobiológica do comportamento de fuga das baratas", diz ele.
"O comportamento de fuga é controlado por um número de neurônios
que são direcionalmente sensíveis.
Portanto, as direções específicas
de escape podem ser o resultado desses neurônios", conclui
Domenici.
A pesquisa também tem seu lado prático.
Confrontado com uma barata, já se pode prever o melhor lugar para
mirar o chinelo. "Embora nós gostemos de baratas e não
recomendamos o esmagamento. Cada animal é especial à sua própria
maneira", diz o pesquisador.
Fonte: Folha de S. Paulo
Texto: Ricardo Bonalume Neto
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